quinta-feira, 5 de abril de 2012

De pernas pro ar

Toda vez que coloco meus pés no tapete do setenta e um
Essa garota me olha como se nunca tivesse me visto
E quer fazer de dois mil e doze, mil novecentos e sessenta e seis
E me indaga, me agarra, me machuca
Me dá três bons tapas no rosto
Pra ver se eu aprendo a ser uma boa garota
Um metro e setenta e quatro de equilíbrio
Seriedade, simpatia, espontaneidade e comentários perspicazes
E veja bem, mocinha, seus pés só podem ficar até quinze centímetros acima do chão

Só que eu insisto em viver pra lá de setenta e sete léguas

Epifania 3

menina, vem cá perto
coração desperto
sem deslize
se quer ser feliz
não poetise

Lição de casa

De que serve a Álgebra da minha adolescência?
Nesse nosso jogo um mais um
Não é dois
[Deveria ser um!]
Dá zero.
Sempre zero.
Zerou.

Deus, meu Deus, posso recomeçar?
Pra ver se dessa vez eu altero o placar.

Uma noite com Kaufman

De que serve tanta sinapse
se não sei fazer a sinopse?

Crio personagens descabidos
Desfoco o essencial
Cutuco corações feridos
Só pra ter o papel principal.