sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dela para Chico

Moço, levanta desse sofá
Permita-me reformar meu abrigo
Nesse tango violento, rasgou-se o tafetá
Esse nosso amor? Um perigo.

E vai com pernas apressadas
Já que uma moça leu nas minhas linhas enrugadas
que seu olhar mente
que sua voz só consente
que seu coração é displicente.

Abrir bem essa janela enferrujada
Trocar a roupa de cama ensanguentada
Desabotoar o decote pro outro moço que já vem
Já que moça desgraçada precisa sempre de um refém.

Vê se corre depressa
O outro moço acabou de me contar
que seu beijo é líquido de bacilo
que você é meu único vacilo
que com ele vou aprender a somar
soledad e libertad.

Mas antes, vem cá, seu moço
Embriagados vamos nos embalar
Já te disse que o tango é a tristeza que se pode dançar?

2 comentários:

  1. Olívia, essa poesia é maravilhosa, de vdd! Carray arrepiei quando li a 3ª estrofe..

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  2. O que eu poderia dizer? Esse poema diz tudo por si só. Que venham mais e mais, flor-te-tango.

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