sábado, 16 de julho de 2011

A epifania

  Se são as perguntas que movem o mundo, então a rotação do meu se encontra em velocidade máxima. Filósofa - literalmente. Amante da sabedoria enciclopédica àquela pra bater o copo no balcão. Falta-me o copo e as respostas.
  Essas pessoas e suas pernas apressadas! Sentam-se ao meu lado e logo deixam seus pedaços no assento. E lá estou eu a analisar milimetricamente cada pedaço, tocá-los, compreendê-los, absorvê-los, comê-los, numa comunhão com o mundo. Nesse vai e vem, vêm e vão: um vão no meu coração.
  Essa mente metamorfoseante que sussura o dilema de Platão: essência, aparência, essência, aparência, essência. Não há escolha: a realidade é relativa e são tantos os heterônimos. Melhor assim, inventando a vida enquanto ela me inventa.
  Mas lhe digo, hoje - hoje - o meu peito estralou. Os meus dedos também! É como quando um inseto pousa no ombro e por um segundo, quando o encaramos, nos damos conta do trabalho silencioso e secreto da natureza. Hoje - hoje - uma esperança verdadeiramente verde acomodou-se na palma da minha mão.
  Esse dardo certeiro me tirou qualquer certeza; mas lhe digo: o mundo ficou odara. Epifania seria?

(12/11/2010)

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