Minhas mãos andam cambaleantes calejadas, segurando infantilmente esse pincel. Movimentos inexperientes tempestuosamente ofegantes sobre uma tela que mal consegue aguentar-se no próprio cavalete. Mileuma rachaduras. E a fechadura? Tranquei-me aqui para não sair antes do sol despontar. As tintas, minhas palavras. Esse esforço para saboreá-las, engoli-las, digeri-las: cruelmente ácidas. Antes que a porta se abra e o vento venha borrar o que restou, eu diluirei minhas tintas nessa água tristonha que navalha a face. Imenso mar, tanto amar. É preciso ainda navegar?
(07/08/2010)
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